#32 A minha experiência com… A saga do Cemitério dos Livros Esquecidos, de Carlos Ruiz Záfon

"Uma história não tem princípio nem fim, só portas de entrada."

Prefácio de O Labirinto dos Espíritos

(O cemitério dos Livros Esquecidos, volume IV)

De Julián Carax

 

Dois meses e 850 páginas depois, emergi deste “Labirinto dos Espíritos” e venho falar-vos do livro, mas também da minha experiência com esta saga. Não me é de todo possível resumir este volume, quanto mais os quatros, por isso convido-vos a espreitar a sinopse aqui.

livrosesquecidos

Começo por resumir o meu percurso nestas leituras. Conheci esta tetralogia em 2015 (então apenas trilogia) e logo li “A sombra do vento” (ver opinião aqui). Este livro só me agarrou verdadeiramente nas últimas 100 páginas, embora até lá estivesse a apreciar agradavelmente o estilo de Carlos Ruiz Záfon. Seguiu-se “O Jogo do Anjo”, que terminei de ler já em 2016. Embora me tenha deixado curiosa, por terminar completamente em aberto, este foi o livro mais “penoso” de todos, pois explora um contexto espacio-temporal muito diferente. Por isso, só um ano depois me atrevi a retomar a saga com “O prisioneiro do céu”. E aqui, sim! Voltei a sentir prazer nesta história, agora redobrado por rever e aprofundar partes da história e personagens que me eram mais queridas. Este livro li numa semana e, como já adquirira o quarto e último volume, decidi não esperar mais e partir para o fim da saga. Eram mais de 800 páginas que intimidavam inicialmente, mas das quais desfrutei até à última palavra.

Carlos Ruiz Záfon escreve uma nota inicial na qual explica a relação entre as diferentes obras da saga, informando que as mesmas podem ser lidas numa ordem diferente ou separadamente. À posteriori percebe-se o porquê dessa sugestão, embora eu ache que, tal como ao autor, a mesma só fará sentido ao leitor quando chegar ao fim do 4º livro, tendo lido os restantes. Este último volume, embora ainda deixando algumas pontas soltas, é o mais conclusivo de todos, reconfigurando o significado de todas as histórias passadas que agora ficam eternizadas.

Passo já a falar de alguns aspectos menos positivos da saga. Spoiler alert: Como avancei, o autor deixa por explicar, de forma convicta, alguns pormenores que importam muito aos fãs, nomeadamente as origens do cemitério dos Livros Esquecidos. Embora tal não seja crucial para compreender a narrativa, era um tema que gostaria que tivesse sido mais desenvolvido neste último livro. Ainda assim, este foi um dos livros que mais apreciei na tetralogia, introduzindo uma nova personagem que nos acompanha ao longo de quase todo o livro: Alicia Gris. Esta é uma personagem que traz uma tónica sombria e macabra à história, mas conectando várias pontos dos livros anteriores e da própria história do pós-guerra civil espanhola e regime franquista. É por isso um livro que, servindo-se da ficção, aborda temas polémicos com fundo verídico, destacando-se assim dos restantes.

Deixo o mais importante para o fim. E também o que mais me custa elaborar. É difícil encontrar palavras para descrever algo do qual gostamos por ser tão genial. Ler “O cemitério dos Livros Esquecidos” é uma experiência diferente de ler qualquer outra saga. Não só pelo tema do amor aos livros. Não só pelas personagens e as relações complexas que elas estabelecem entre si. É pela forma como isso é trabalhado pelo próprio Carlos Ruiz Záfon, orientando o leitor numa relação muito próxima com o próprio processo de escrita. Este autor revela não só enorme talento, mas enorme conhecimento sobre a construção narrativa, e isso torna-se totalmente consciente no final de O Labirinto dos Espíritos. Cada um destes quatro “tomos”, embora conectados por um estilo comum “záfoniano”, são alicerçados em diferentes géneros que o autor escolhe desenvolver e experimentar. Por fim, é quase como se ele nos desse a oportunidade de nos despedirmos com ele destas “suas” obras, uma vez que acedemos à sua própria visão sobre a literatura e a escrita. Assim, o que torna estes livros verdadeiramente especiais não é a história ou a escrita por si só, é a relação íntima que o autor nos permite estabelecer entre elas.

Por isso, não se deixem intimidar pelas mais de 2000 páginas desta saga, pois espera-vos uma experiência verdadeiramente única! Partilhem as vossas opiniões e sugestões aqui em baixo, e até breve!

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