#30 A minha experiência com… A mulher-casa, de Tânia Ganho

Hoje venho falar-vos de um livro invulgar. Embora este livro aparente ser um mero romance, há tantas pequenas coisas que fazem com que este não seja mais um entre muitos, e me tenha feito atribuir, pela primeira vez em 2016, as cinco estrelas. Falo-vos de um livro de uma autora que merece ser mais conhecida e divulgada. Falo-vos de “A mulher-casa”, de Tânia Ganho.

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“A mulher-casa” é um título que faz referência uma pintura, e que narra a história de Mara e Thomas, um casal dos subúrbios franceses que se muda para Paris, quando o marido arranja emprego no governo. Mara trabalha em casa, como modista de chapéus, e toma conta do filho do casal, Raphael. Assim, a narrativa atravessa um período crítico da vida conjugal (aliás, o subtítulo é “Cenas da vida íntima em Paris”), no qual o casal navega pelos desafios do equilíbrio entre a parentalidade, o emprego, a vida íntima… e em que, pelo meio, Mara se envolve numa relação com Matthéo, um jovem chef mais novo, e se enreda mais e mais nos seus sentimentos contraditórios e nos seus dilemas existenciais.

À partida, este livro tem tudo para cair em clichés, e não passar de uma história com um triângulo amoroso. Porém, há um conjunto de características que o elevam, e que o tornam um dos livros mais bem concebidos que li até então. Em primeiro lugar, a qualidade da escrita é notória, sendo cada frase bem trabalhada e enquadrada, num texto escorreito e de bom gosto. Depois, a construção das personagens é de enorme complexidade. As suas histórias, relações, conflitos (intra e interpessoais), fazem com que estas personagens, que vivem rotinas fora do habitual no nosso contexto, se tornem bastante acessíveis, bastante humanas, aos nossos olhos. Facilmente nos conseguimos relacionar com as suas dúvidas e as suas histórias, mesmo nunca tendo passado por situações semelhantes.

Tudo isto traz um tom bastante existencialista a este livro, que vai ao cerne dos problemas, e expõe com elegância e transparência a natureza da crise conjugal. O ritmo repetitivo em que cai a meio da narrativa é o único senão, na minha opinião, que contudo parece reforçar o carácter realista desta narrativa.

Foi uma leitura lenta, mas foi, sem dúvida, uma boa aposta e uma boa sugestão, que agora partilho com todos vocês!

 

Classificação: ***** (Adorei)

Link no Goodreads: https://www.goodreads.com/book/show/13632490-a-mulher-casa

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4 thoughts on “#30 A minha experiência com… A mulher-casa, de Tânia Ganho

  1. Ainda bem que gostaste 🙂 Também foi uma agradável surpresa para mim e ainda bem que segui a sugestão da Roberta e da Joana ao comprá-lo para nós!!
    É como dizes, tinha tudo para ser um livro cheio de clichés e, muito pelo contrário, é o pegar em coisas comuns e transformá-las… e a escrita é óptima!

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