#27 A minha experiência com… A Trança de Inês, de Rosa Lobato Faria

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Olá a todos! Hoje trago-vos uma leitura de 2015, que conclui durante a Maratona de Natal. Porém, só agora vos falo deste livro porque tem tudo a ver com o tema deste mês do projeto Book Lo<3rs, que são As mulheres. E por isso, decidiu falar-vos deste livro, que não só é escrito por uma grande mulher da literatura nacional – Rosa Lobato Faria – mas também presta homenagem a uma das mulheres que mais marcou a nossa história – Inês de Castro. Este livro foi-me emprestado pela Silvéria, do The fond reader, mas que já me interessava porque estou a tentar ler mais autores portugueses. E, posso-vos dizer, só a partir deste livro, que se faz muito boa literatura por cá…

É difícil descrever sobre o que trata este livro. Parece óbvio, porque se baseia numa das lendas mais propagadas da nossa cultura, que é a do amor trágico de Pedro e Inês. Porém, este livro reconta esta história desde o passado, o presente e até ao futuro, recriando os seus elementos e revivendo os seus mistérios. O fio condutor parece ser a trança de Inês, símbolo de ligação entre as eras e razão do encantamento de D. Pedro, que nos dá a conhecer, a conhecer e a conhecer o seu grande amor…

Desde logo, a escrita de Rosa Lobato Faria é um dos aspectos de maior destaque, e que mais enriquece a obra. Informal mas também lírica, ela é como a trança, conjugando na perfeição as transições entre os diferentes contextos, e demarcando os elementos intemporais. Conhecemos esta história a partir do ponto de vista de D. Pedro, que, subjugado na sua loucura, dá-se conta das vicissitudes da sua existência. Dirige-se à sua Inês quase sempre na primeira pessoa, alimentando o seu amor e a sua dor, e deixa-nos expectantes por algo que sabemos que não está destinado a cumprir-se.

O que mais me surpreendeu, contudo, foi a criatividade de Rosa Lobato Faria. Confesso que, do que conheci de Rosa enquanto atriz, alimentei a expectativa de que os seus livros fossem um pouco desinteressantes, mais lineares e realistas. Mas este livro nunca se tornou desinteressante, e foi tudo menos linear. Rosa conjuga elementos históricos, com elementos contemporâneos e distópicos, o que torna este mito quase real, quase passível de ser vivido por qualquer um de nós. Não está, ainda assim, próximo da perfeição, porque no final fica a faltar algo mais conclusivo em relação a um dos mundos criados. Mas, para mim, isso não retira o fascínio que senti com esta obra…

Assim, é um livro que recomendo, embora possa não agradar a todos os gostos. Não sei se a autora tem outros livros que se equiparem a este, mas gostava de saber as vossas sugestões de outras obras que já tenham lido e gostado. Por isso, vou ficar atenta a oportunidades de adquirir obras de Rosa Lobato de Faria.

ines

Editora: Colecção BIS

Ano de Publicação: 2001

Páginas: 224

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