#21 A minha experiência com… O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

IMG_20150828_150019

Olá a todos! Estou de volta à Toca do Nunca e, antes de mais, é tempo de “arrumar” algumas leituras atrasadas. Por isso, começo por vos falar da minha experiência com O Retrato de Dorian Gray que, caso não se recordem, foi a vossa escolha no último TBR (há cerca de 2 meses atrás). Eu li esta obra durante o mês de Agosto, mas espero que, apesar da demora, estejam interessados em saber como foi este meu primeiro contacto com a obra de Oscar Wilde. A minha edição foi-me oferecida pela minha amiga Sara, no meu aniversário (em Maio), mas antes eu tinha visto uma opinião da Joca, do little house of books (ver aqui) que me deixara absolutamente fascinada. Portanto, não iria esperar muito até desvendar os mistérios de Dorian Gray…

Segundo o próprio Oscar Wilde, as três personagens principais deste clássico são desdobramentos da sua personalidade, complexificando a sua interpretação: «Basil Hallward é aquilo que eu penso de mim; Lord Henry o que o mundo pensa de mim; Dorian Gray é o que eu gostaria de ser noutra época, talvez.». Na obra, caracterizada como um romance gótico, Basil Hallward é um pintor que fica fascinado com a beleza de Dorian e o convence a posar para si. Numa dessas sessões, Dorian é apresentado a Lord Henry Wotton, um aristocrata cínico e com uma visão do mundo puramente hedonista, o qual passa a exercer sobre Dorian uma influência nefasta. Quando o retrato fica pronto, Dorian lamenta o seu inevitável envelhecimento e a juventude imortalizada no quadro, desesperando por manter a sua beleza intocada. E, de facto, nos 18 anos seguintes, é o seu retrato que sofre com a passagem dos anos de uma vida devassa e uma moral corrompida, enquanto o seu rosto preserva a sua juventude…

Apesar da polémica causada na altura da sua publicação, tendo sido parcialmente censurada, esta é considerada pela crítica a maior obra de Oscar Wilde. Ao longo das décadas, tem preservado o seu fulgor, despertando a curiosidade de novos públicos e, a prova disso, é o facto de merecer a menção de já vários booktubers. É escrita de forma elegante, mas simples e cativante. Na verdade, foi mais um dos clássicos que li recentemente que me surpreendeu pela facilidade com que me adaptei à sua escrita e à sua estrutura. Embora alguns capítulos sejam um pouco mais longos, e alguns trechos mais entusiasmantes do que outros, é uma obra coesa, que avança em tensão crescente para um final dramático.

Mas o mais fascinante nesta obra é toda a sua simbologia faustiana (referência a “Fausto”, o protagonista de uma lenda alemã sobre um homem que faz um pacto com o demónio) a qual, parecendo clara e determinista, deixa, ainda assim, muita liberdade para interpretações diversas. Apesar de o próprio Oscar Wilde entender O Retrato de Dorian Gray como uma obra autobiográfica, há outras que a tomam como uma imitação da vida, expressando de forma dramática temas tão actuais como o medo de envelhecer, ou tão universais como a distinção entre o certo e o errado…

Confesso que este livro merece uma releitura. Não só porque estava numa fase de maior desgaste psicológico, pelo que não o li com a atenção que merecia, mas também porque é uma obra que, apesar de estar bem situada no seu contexto histórico e cultural, é de cariz intemporal. Agora, gostava imenso de saber: qual a vossa opinião e interpretação desta obra? E se ainda não leram, aqui fica o convite para o fazerem e se juntarem a esta discussão 😉

Deixo-vos com o link para o vídeo de opinião que publiquei lá no canal:

E, como poderão ver, já está em andamento um novo TBR Jar Challenge, para abater a minha pilha de livros por ler e partilhar convosco as leituras mais aguardadas. Votem até ao próximo vídeo numa das seguintes opções:

1 – Orgulho e Preconceito, de Jane Austen

2 – A cidade e as serras, de Eça de Queirós

3 – A praia das pétalas de rosa, de Dorothy Koomson

Classificação: **** (Muito Bom)

Link no Goodreads: 

https://www.goodreads.com/book/show/2268267.O_Retrato_de_Dorian_Gray

Vemo-nos num próximo post!

IMG_20150828_150103


Editora: Relógio d’Água (http://www.relogiodagua.pt/)

1ª Edição: 1891 (Original)

Páginas: 276

Apresentação: Capa mole

Advertisements

2 thoughts on “#21 A minha experiência com… O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

  1. Olá Raquel! Dorian Grey é realmente bastante único. Lembro-me que na altura em que levantei uma edição muito velhinha da biblioteca, ía bastante a medo por não estar habituado aos clássicos da literatura. Mas como mencionaste, embora o livro seja de finais do séc. XIX, os temas centrais passam facilmente (ainda que acredite que muitas referências e detalhes me tenham passado ao lado). Ainda que um ou outro capítulo talvez prolongue demasiado a sua estadia (talvez um sinal de outros tempos: para o bem e para o mal, um editor dos nossos tempos apressava-se logo a cortar umas quantas coisas), a leitura é extremamente cativante. Desconhecia era que Wilde tinha projectado nos três personagens essas várias facetas de si mesmo! Bom post, continua : )

    Like

  2. Olá Rodolfo! Obrigada por comentares e partilhares a tua experiência 🙂 Alguns detalhes também me passaram ao lado, pelo que merece uma releitura. E sem dúvida que este livro espelha, em muitos aspectos, incluindo o estilo e a escrita, a vida de outros tempos, mas também consegue ser atual. Agora, interpretações abundam 😛 Beijinhos

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s