#19 A minha experiência com… Fome de Fogo, de Erik Axl Sund

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Quando em Março deste ano iniciei esta trilogia, fui movida pela curiosidade suscitada pelas opiniões de vários bloggers e booktubers, mas, no fundo, parti sem grandes expectativas de vir a gostar verdadeiramente desta série. Não só porque o género não é dos meus habituais, mas porque estes livros são pautados por uma tónica constantemente dura, pesada e brutalmente verosímil. No entanto, se “A rapariga-corvo” foi uma leitura inicialmente desmotivante, este 2º volume agarrou-me logo de início, com o estilo único que a dupla Erik Axl Sund consolida e aperfeiçoa. “Fome de Fogo” segue, numa intensidade dramática que cresce até um final surpreendente e desconcertante, e que nos faz querer avançar de imediato para o volume final.

“Fome de Fogo” continua a partir dos acontecimentos do volume anterior, e dá continuidade à investigação dos casos dos rapazes assassinados. No entanto, os esforços de Jeanette Kihlberg são redirecionados quando um homem de negócio é brutalmente assassinado em Estocolmo, num ato de aparente vingança. À medida que vão surgindo novos casos, a busca pela desaparecida Victoria Bergman intensifica-se, e um novo conjunto de dados sobre o seu passado liga-a a atos insólitos cometidos num colégio de elite e à Dinamarca. Ao mesmo tempo, a psicoterapeuta Sofia Zetterlund tenta compreender-se a si à própria, enquanto ajuda outras mulheres violadas. Num conjunto de voltas e reviravoltas, esta história encaminha-se para um final em aberto que nos deixa estupefactos.

Um dos pormenores que mais me agrada, tanto em “Fome de Fogo”, como em “A rapariga-corvo” é a consistência das ideias, tanto em cada um dos livros, como no seu conjunto. Em cada um deles, percebe-se que há uma tónica específica, sublinhada, inclusive, por breves alusões ao título, mas também há um estilo próprio, na escrita da narrativa, que os tornam parte de uma obra fenomenal. Além disso, é evidente a complexificação que a narrativa assume. Depois de conhecermos “o esqueleto”, i.e., as personagens principais e os seus problemas, neste “Fome de Fogo” aprofundamos a nossa compreensão sobre a sua psique e as suas vivências, de tal forma que nos deixa antever o contexto ideológico e o impacto dos eventos traumáticos no estado psicológico das personagens. Contudo, é tudo ainda envolto em muitos segredos e mistério, sendo que, ler este livro, é como ir construindo a análise de um caso: constantemente vamos pensando em hipóteses, não só para quem terá cometido os crimes, mas o porquê de os cometer. Neste 2º volume, os autores também exploram de forma mais completa os mecanismos psicológicos que estão por detrás do Transtorno Dissociativo da Personalidade, um quadro clínico que tem tanto de complexo como de fascinante.

Assim, esta foi uma leitura constantemente empolgante, que consolidou o meu interesse neste género de literatura. Mas, por agora, não aprofundarei muito mais, pois palpita-me que o 3º volume será brutalmente revelador e desconcertante, e terá maior interesse tecer uma opinião mais completa sobre toda a trilogia quando (em breve, espero!) a concluir. Se, aí desse lado, já leram esta série, partilhem comigo o que acharam. Senão, juntem-se a mim nesta investigação d’”As faces de Victoria Bergman”, pois vale mesmo a pena!

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Classificação: **** (Muito bom)

Link no Goodreads: https://www.goodreads.com/book/show/22464431-fome-de-fogo?ac=1


Editora: Bertrand Editora (http://www.bertrandeditora.pt/)

1ª Edição: 2014

Páginas: 410

Apresentação: Capa mole

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5 thoughts on “#19 A minha experiência com… Fome de Fogo, de Erik Axl Sund

    • Antes de mais, sê muito bem-vinda! Espero que gostes de continuar a passar por cá 😉
      Eu por acaso sinto que me interesso cada vez mais, mas confesso que, desse ponto de vista, o 1º está melhor do que o 2º 😛 Eu por acaso estava no metro e, mesmo assim, não consegui conter um “Oh” de espanto xD
      Obrigada pelo teu comentário!
      Beijinhos

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      • Obrigada! Já estou a seguir para não perder nenhum post. 🙂 Foi daqueles twists que uma pessoa não consegue mesmo conter a reacção e que fazem muita falta neste género de livros!

        Liked by 1 person

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