#5 Poema | As vozes das aves

Há aves que cantam tristes melodias.
Memórias dos dias
Em que a vida fluía como um rio.
Cantam o vazio
Da saudade enganada.
De uma morte inacabada.

Há aves canoras
Que penetram todas as horas.
Que enchem o espaço
De ruído e cansaço.
Que espalham o horror
E sufocam o amor...

As aves cantam no escasso
Tempo e espaço
Em que luto
Por lapidar um diamante bruto.
O sopro da vida.
Uma batalha perdida...

Aves coloridas,
Aves selvagens e destemidas.
Aves pequenas,
Cheias de penas
E cânticos torturantes.
São mensagens hipnotizantes...

E as aves cantam e pavoneiam-se em redor,
Cada qual com a sua dor.
Qual delas a mais especial?
Qual delas a mais desigual?
Agitam-se em desarmonia
E levantam voo em cacofonia.

E deixam um rasto ao largo
Das vozes que embargo.
Que carrego no coração
E me enchem de compaixão.
São tantas, tão fortes...
Fortes como a morte...

É no meio dessas vozes,
De notas velozes
E fugazes, à minha volta,
Que a minha alma se revolta
E se desvanece...

Esmorece e renasce,
Sempre que a lua surge
E o sol nasce.
Lutando para sobreviver
Na cacofonia do ser.

Persistindo em orquestrar
Uma melodia sua, para cantar...

Autoria: Raquel Pereira

E porque há alturas em que escrever é particularmente importante para mim, surgiu mais este poema n’A Toca!

Espero que gostem e partilhem comigo a vossa opinião sobre ele 😉

Beijinhos

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