#15 A minha experiência com… Jane Eyre, de Charlotte Bronte

IMG_20150606_144724

Finalmente venho partilhar convosco a minha leitura deste clássico da literatura inglesa, após quase dois meses. Esta foi a vossa sugestão do último TBR Jar Challenge, recordam-se? Eu tinha adivinhado que ia demorar um pouco mais, e entretanto li outros livros pelo meio, mas foi uma leitura regular e deliciosa. Já as últimas 100 páginas li a um ritmo mais acelerado, à medida que se aproximava o clímax e a teia dramática se desenvencilhou… tornando esta obra-prima num dos meus clássicos preferidos de sempre.

Jane Eyre é uma autobiografia ficcionada de uma jovem órfã que, depois de uma infância e uma adolescência de sacrifício e solidão, se torna preceptora numa propriedade inglesa chamada Thornfield Hall. Lá conhece Mr. Rochester, o proprietário, e lentamente, quase de forma inconsciente, se apaixona por este. Jane vê-se correspondida nos seus sentimentos, e está prestes a casar-se, mas um terrível segredo vem ameaçar a sua felicidade. Em 38 capítulos, divididos em três volumes, acompanhamos a evolução desta mulher de espírito livre e inquebrável, que luta de forma independente por um destino melhor do que a sua sorte, mantendo-se fiel aos seus princípios e valores. E, de forma subtil e requintada, é-nos retratada a sociedade da época, sendo o ambiente impregnado por toda a atmosfera victoriana.

Começo por dizer aquilo, provavelmente, já sabem: adorei Jane Eyre! De uma forma global, considero que este romance é soberbo. Não só pela história, que é adorável e inesquecível, mas também pela forma como esta se encontra elevada pela escrita. Das 594 páginas com que este romance conta, nem uma está a mais, pois cada pormenor é fruto de uma inteligência e criatividade muito acima do vulgar. Charlotte Bronte escrevia de forma brilhante, inteligente mas sensível. Além disso, tendo escrito este romance em jeito de autobiografia, isso contribuiu para criar uma empatia maior com o leitor (com as constantes alusões à nossa presença: “Caro leitor…”), dando a sensação de que se encontrava mesmo ao nosso lado, a narrar esta história, levando-nos a escutá-la atentamente. Ao longo de toda a obra, a autora faz alusões a obras da época e a passagens da Bíblia, o que mostra a sua cultura e eleva o significado de cada passagem. Assim, toda a narrativa é impregnada de uma forte intensidade dramática, fazendo-nos recordar e reviver vezes sem conta diversas cenas. Fazendo-nos, inclusive, memorizar discursos e citações que, num só momento, captam todo o espírito de Jane Eyre (personagem e obra) e marcam o seu carácter.

db2936903e84ce7215f3ad720079fab9

Quanto às suas personagens, e sem me querer alongar demasiado, gostaria de comentar o quão bem construídas e apresentadas as considero. Nomeadamente, as personagens de Jane e Mr. Rochester. A forma como acompanhamos a evolução de Jane Eyre é um dos mais belos exemplos que já vi de uma personagem complexa, a qual amadurece a tal ponto que atinge a compaixão com que jamais sonhou, sem se perder de si mesma. E, no caso de Mr. Rochester, é delicioso acompanhar a sua ambiguidade e mistério, que depois dão lugar a um carácter apaixonado e muito humano.

tumblr_m1o5saGxP41rrqi2zo1_500

Porém, as cinco estrelas que atribuí ao livro no Goodreads são, na verdade, 4,5 estrelas. Porquê? Por causa do final. Sem vos revelar muito, pois espero que o vão ler, este livro termina 10 anos após os últimos acontecimentos narrados e, mesmo no último parágrafo, a autora faz alusão a uma personagem secundária, mas importante – Mr. St. John. Uma personagem da qual, para ser franca, não gostei nada, e chegou-me mesmo a irritar profundamente. E fiquei na dúvida se Charlotte Bronte pretendia introduzir uma certa mistura de sentimentos e dúvida na apreciação desta personagem (afinal, excepcionalmente correcta e de heroicos padrões morais e religiosos), ou se tinha de todo uma opinião diferente da minha. Acabou por ser um final desconfortável para mim, pois, embora ela tivesse que dar uma satisfação quanto ao destino de St. John, creio que não fazia sentido dar-lhe o destaque que acabou por receber. Precisei mesmo de pesquisar informação quanto à análise da obra e deste ponto em particular, o que me levou a saber que: primeiro, não fui a única a não gostar; segundo, talvez este final se coadune com os padrões da época victoriana, i.e., um final feliz, mas também com uma pontinha de remorsos e mágoa (se é que percebi bem…).

Concluindo, esta foi uma obra que, não só considero muito boa, como adorei do fundo do coração, também por me identificar bastante com Jane Eyre em alguns pontos da sua personalidade e alguns gostos (apesar de sermos de épocas distintas, o gosto pela aprendizagem e o ensino é transversal). Tenho revivido esta história na minha imaginação, e estou ansiosa por ver algumas das adaptações cinematográficas do romance. Por isso, foi uma óptima leitura que, com certeza, me fará ler mais clássicos!

il_340x270.613988838_m6l7

Classificação: ***** (Excelente)

Link no Goodreads: https://www.goodreads.com/book/show/10210.Jane_Eyre

E vocês, o que acharam desta heroína? E que acharam do final?

Gostava mesmo muito de saber a vossa opinião 😉

Beijinhos e até ao próximo post!

Editora: Editorial Presença (http://www.presenca.pt/)

1ª Edição: 1847 (Original)

Páginas: 594

Apresentação: Capa mole

Advertisements

2 thoughts on “#15 A minha experiência com… Jane Eyre, de Charlotte Bronte

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s