#9 A minha experiência com… A História de um Sonho, de Arthur Schnitzler

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Olá a todos, e sejam bem-vindos a mais um texto da rúbrica “A minha experiência com…” onde vos venho falar da minha leitura de “A História de um Sonho”, uma obra publicada em 1925 pelo escritor austríaco Arthur Schnitzler. Uma obra de cariz surrealista, que bebe das influências do seu amigo Sigmund Freud, sobre o inconsciente e o superego, e que me foi recomendada e emprestada por uma amiga com a qual partiho o gosto pela Psicologia. Uma obra de dimensões pequenas, mas que não deixa ninguém indiferente.

A acção situa-se na Viena do início do século XX, e acompanha um médico, Fridolin, e a sua esposa, Albertine, um casal feliz e cheio de cumplicidade. Certa noite, ambos confessam um ao outro, episódios de adultério que viveram ou fantasiaram. A conversa é interrompida por uma urgência médica de Fridolin, mas despoleta a crise e um certo mal-estar no seio do casal. Nos dias e noites seguintes, Fridolin e Albertine atravessam um conjunto de aventuras – reais e sonhadas – que abalam as estruturas do seu casamento e dos seus egos, expondo as suas pulsões e tensões reprimidas e desvendando a natureza instável de ser humano. E, ao mesmo tempo, resultando numa intimidade maior que nunca.

Assim, esta obra explora as fronteiras entre o real e o irreal, questionando as barreiras entre as nossas pulsões mais primitivas e as nossas motivações mais sublimes, que sustêm o nosso equilíbrio psicológico e permitem que funcionemos em sociedade. Este livro, de forma surpreendente, conduz-nos por essa aventura, sem nunca desvendar totalmente os mistérios recalcados, mas permitindo-nos sobreviver à dor e à vergonha do “retirar da máscara”. Retrata, assim, a instabilidade e constante mudança do ser humano, pelo aprofundamento do seu auto-conhecimento, mas também retrata a instabilidade da vida conjugal. De certa forma, as personagens são “acordadas”, apanhando um susto, de se perderem mutuamente, e reconhecem que não podem considerar o amor e fidelidade do outro como garantidas. Neste sentido, gostei da forma como o autor construiu os seus ambientes e as suas personagens, atribuindo igual relevância ao sonho e à realidade, o que muito enalteceu a trama. Particularmente, gostei bastante do desfecho, no qual o autor parece desvendar um pouco da sua perspectiva pessoal sobre esta “história de um sonho”.

Porém, não posso afirmar que tenha apreciado a experiência de leitura desta obra nem, mesmo à posteriori, aprecie a obra como um todo. Sem menosprezar a qualidade do trabalho e da escrita do autor, não foi um livro que me tenha marcado particularmente, precisamente pela teoria que se encontra na sua base: a psicanálise. Esta corrente, embora tenha merecido o meu fascínio no tempo em que a estudei, rapidamente perdeu o seu interesse para mim, já que estudei outras mais recentes que me fazem mais sentido. Aliás, senti que, numa outra perspectiva, mais sistémica ou constructivista, a história de Fridolin e Albertine teria tido muito mais credibilidade para mim. Porém, esta foi uma opção óbvia para o autor, sendo que, há data e naquele contexto, era uma corrente preponderante no mundo da psicologia. Isso não posso contestar ou criticar, mas devo dizer que, para mim, esta história não saiu enaltecida pela mesma, tornando-se um pouco aborrecida e previsível no seu surrealismo. No entanto, quero frisar que, precisamente por este factor, considero uma obra literária de grande relevância, já que deu vida aos conceitos freudianos de forma tão criativa.

Desta forma, eu aconselho a leitura desta obra a leitores mais introspectivos e que apreciem um pouco de bizarro e suposição… Se preferirem, podem também optar pela visualização do filme de 1999  “De olhos bem fechados” (Eyes wide shut, no original) de Stanley Kubrick, protagonizado por Tom Cruise e Nicole Kidman, e baseado nesta obra.

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Classificação: *** (Bom)

Link no Goodreads: https://www.goodreads.com/book/show/157409.Dream_Story

E este foi mais um “A minha experiência com…”, que espero que tenha sido do vosso agrado e estimule o vosso interesse na leitura cada vez mais prazerosa e enriquecedora…

Cá vos espero num próximo post! 😀


Editora: Colecção Mil Folhas (Público)

1ª Edição: 1925

Páginas: 95

Apresentação: Capa dura com sobrecapa

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