Introspecções | “O essencial é invisível aos olhos”

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Esta frase, da página 74 da obra “O Principezinho”, da autoria de Antoine de Saint-Exupéry, deixa muitas pessoas a pensar. Sobre o que é essencial? Sobre o que realmente importa na vida? Possivelmente…

Esta frase é precedida por uma outra: “(…) só se vê bem com o coração.” Os nossos olhos, as nossas mentes, não captam esta essência. Constantemente nos iludem, nos confundem, com imagens que não são as mais genuínas sobre o mundo à nossa volta. Sobre o mundo dentro de nós.

Afinal, porque procuramos esta essência? Essência… da vida? O que é que ela significa? E porque nos escapa?

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Esta é uma história escrita para crianças, mas que pessoas de todas as idades lêm e relêm. Eu própria, só em adulta a li pela primeira vez. Mas nesta história, o autor parte do pressuposto que apenas as crianças entendem realmente a vida. Como se o processo de educação, de velar pela passagem de uma criança à sua adultez, de alguma forma, nos desviasse do nosso desenvolvimento mais humano. Como se a intervenção dos “já convertidos” em adultos desvirtuasse e abafasse a sabedoria das crianças.

À medida que crescemos, torna-se cada vez mais urgente dar um sentido ao que somos, ao que representa a nossa vida. O processo de construção de uma identidade, que atravessamos na adolescência, afasta-nos da simplicidade e genuinidade com que viemos ao mundo, aptos de curiosidade não filtrada e sem preconceitos. Porém, é como se, simultaneamente, nos atirasse para uma busca infindável, porque perdemos alguns dos recursos que nos permitiriam achar “a essência”. Porque desvalorizamos a importância do nosso coração…

Para mim, esta busca da essência, através de caminhos que conduzem ou não até ela (e.g. procurar um emprego de sonho, encontrar o nosso verdadeiro amor, seguir os conselhos de um sábio, conhecer-se a si próprio), é tão natural e inevitável porque nela se encerra a verdadeira felicidade. Um sentimento de se estar vivo, de se ser humano, de se ser uno. Uno, a um todo maior que nós próprios e o mundo que construímos. E de, no acaso, estabelecermos e aprendermos a valorizar os laços, as relações, as uniões, que vão dar significado único à nossa vida.

“Vocês ainda não são nada – disse-lhes ele. – Ninguém vos cativou e vocês não cativaram ninguém. São como a minha raposa era, uma raposa perfeitamente igual às outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e ela passou a ser única no mundo.” (pg. 72)

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É também nos laços que estabelecemos com os outros, com as coisas, que aprendemos a procurar essa essência, essa felicidade. Alguns deles, dos mais importantes da nossa vida, como os que temos com os nossos pais, têm como cerne a nossa educação para essa conquista.

Por isso, este livro lançou-me numa conclusão desconcertante, mas que pode ser muito reveladora: visto que a generalidade dos pais querem, acima de tudo, que os seus filhos sejam felizes, como podem eles ajudar os seus filhos a descobrir essa felicidade se eles próprios não sabem como fazê-lo? Se eles próprios se esqueceram? Se eles próprios têm ideias, no mínimo, confusas, sobre o que os faz felizes?

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Os pais, a generalidade das pessoas e, um dia, os seus filhos, tendem a confundir felicidade, exclusivamente, com sucesso. Nomeadamente, sucesso na carreira, mas, de preferência, também no amor, na saúde, no dinheiro, etc. E antes de o perseguirem até, têm ideias pré-concebidas, por eles e pela sociedade, sobre o que isso é. Porém, ao percorrerem o caminho, tão cheio de imprevistos, de desilusões e surpresas, descobrem muitas vezes que o sucesso está noutras coisas, únicas para cada um (vejam este vídeo se quiserem pensar mais sobre isto: https://www.youtube.com/watch?v=MtSE4rglxbY)

E descobrem que a felicidade ficou do lado de fora, vedada pelos arames farpados à volta do coração, nunca o penetrando. Ou, se forem sortudos, que os apanhou em momentos de surpresa. Descobrem que a felicidade é como uma competência, uma capacidade, com que se nasce, mas que tem que ser trabalhada com o tempo. Ou seja, talvez, para acharmos felicidade lá fora, ela tem que vir de dentro. E que talvez o que está dentro de cada um de nós, dentro de cada criança, e que a torna única e especial na sua forma de ver o mundo, é tão ou mais importante do que aquilo que teimamos em impor-lhes do exterior como sendo melhor e mais importante.

O que significa exactamente isto? Educar para a felicidade, ajudando as crianças a preservarem e amadurecerem a sua tendência natural para a criarem? Como fazê-lo?

Não vos sei dizer, pois também perdi, por muito tempo, a capacidade de ser feliz. Palpita-me, porém, que as respostas estão algures dentro de nós, e que podem ser recuperadas com amor…

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Classificação: **** (Muito Bom)

Link no Goodreads: https://www.goodreads.com/book/show/157993.The_Little_Prince

Digam-me aí nos comentários se gostaram deste post. O que vos fez pensar? O que vos fez sentir?

E deixem também as vossas sugestões para a Toca 🙂


Editora: Editorial Presença (http://www.presenca.pt/)

1ª Edição: 1946 (Original)

Páginas: 96

Apresentação: Capa mole

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